ARTE · 09/05/2026
Marrocos transforma tradição em potência contemporânea na 61ª Bienal de Veneza
Com a presença do primeiro-ministro Aziz Akhannouch, Reino inaugura pavilhão nacional no Arsenale e reafirma a cultura como eixo estratégico de identidade, diplomacia e projeção internacional
Paulo Melo
Por A Redação
A entrada oficial de Marrocos na 61ª edição da Bienal de Veneza consolidou um dos movimentos culturais mais significativos do mundo árabe e africano no circuito internacional da arte contemporânea. Sob as altas instruções do rei Mohammed VI, o primeiro-ministro Aziz Akhannouch inaugurou oficialmente, em 8 de maio de 2026, o pavilhão marroquino instalado no histórico Arsenale — espaço central da Bienal e território simbólico das grandes narrativas artísticas globais.
Em um momento em que a arte contemporânea internacional revisita temas ligados à memória, identidade, deslocamento e ancestralidade, Marrocos apresentou “Asǝṭṭa”, instalação monumental concebida pela artista Amina Agueznay com curadoria de Meryem Berrada. O projeto transforma o ato ancestral da tecelagem em linguagem contemporânea, elevando o saber artesanal feminino marroquino ao centro das discussões curatoriais internacionais.
“Asǝṭṭa” — palavra amazigh associada ao processo de tecer — propõe uma reflexão sobre transmissão cultural, permanência da memória coletiva e continuidade dos gestos ancestrais dentro da contemporaneidade. A instalação foi construída em colaboração com mais de 160 mulheres artesãs marroquinas, aproximando arte, território e patrimônio imaterial em uma dimensão raramente vista com tamanha escala na Bienal.
A participação marroquina evidencia uma mudança estrutural na geografia simbólica da arte contemporânea. Em vez de apenas ocupar um espaço expositivo, o país apresenta uma política cultural baseada na valorização do patrimônio vivo, da produção artesanal e da memória coletiva como instrumentos de presença internacional. O gesto de Marrocos em Veneza não se limita ao campo estético: trata-se também de diplomacia cultural, reposicionamento geopolítico e construção de narrativa nacional através da arte.
Durante a abertura VIP da Bienal, o artista, curador e correspondente cultural do Tribuna Livre Goiás, Paulo Melo, esteve entre os convidados internacionais presentes no pavilhão marroquino e conversou com o primeiro-ministro Aziz Akhannouch sobre a relevância da arte como instrumento de identidade, permanência cultural e diálogo entre nações. A presença de Paulo Melo na abertura reforça não apenas sua atuação crescente no circuito internacional das artes, mas também a inserção do jornalismo cultural brasileiro dentro de um dos ambientes curatoriais mais influentes do mundo contemporâneo.
Com trajetória que reúne arte, curadoria, fotografia, comunicação e produção cultural, Paulo Melo vem consolidando uma atuação voltada à articulação entre América Latina, Europa e circuitos emergentes da arte global. Em Veneza, sua presença simboliza uma aproximação entre o pensamento artístico brasileiro e os novos movimentos culturais do Norte da África e do Oriente Mediterrâneo, regiões que hoje ocupam papel estratégico nas discussões internacionais sobre memória, patrimônio e contemporaneidade.
Ao inaugurar o pavilhão, Aziz Akhannouch afirmou que a presença do Reino reafirma a identidade cultural marroquina e transforma a cultura em motor estratégico de desenvolvimento. Em um cenário internacional marcado por disputas narrativas e reconfigurações culturais, a presença de Marrocos na Bienal representa a afirmação de uma identidade plural, africana, árabe, mediterrânea e amazigh, articulada dentro do circuito global contemporâneo.
Fundada em 1895, a Bienal de Veneza permanece como a mais influente plataforma internacional de arte contemporânea do planeta, reunindo nações, artistas e projetos curatoriais capazes de redefinir os rumos simbólicos da produção artística global. Em 2026, Marrocos não apenas participa desse diálogo — assume protagonismo dentro dele.
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